A última moda

The latest fashion

Publicado originalmente na Revista Tudo De Bom em Maio/2014.

Ano após ano; a cada nova estação, novas semanas de moda. Fotos, vídeos, reportagens e editoriais ilustram revistas, jornais, televisão e internet. O consumo da moda, com o avanço das tecnologias e surgimento dos digital influencers e blogs, tornou-se mais do que imediato. Já conhecemos as coleções dos maiores estilistas através das divulgações de backstages antes mesmo do desfile acontecer e, com isso, o desejo de consumir a última moda só tende a crescer.

A moda feminina começou a ser definida nos tempos da Belle Époque (1871-1914), quando, finalmente, a vestimenta feminina passou a se diferenciar da masculina. Por ter sido um período quando o luxo e ostentação eram demonstrados pela classe alta, o exagero e a ostentação eram representados pelo volume excessivo, pelas penas, rendas e pérolas, além de babados, plissados, bordados e lantejoulas. O padrão de beleza eram cinturas finíssimas, com espartilho exageradamente apertado, o que deixava o corpo em formato de “S”.

Com o passar dos anos, a moda tende a mudar, evoluir. Até mesmo para atender um anseio das liberdades humanas, que acabam sendo expressas na maneira de vestir. Embora a moda possa ser inspirada nos anos 1960, por exemplo, a consumidora não é a mesma daquela época. Evoluiu. Liberdades pessoais, tecnologia e estilo de vida influenciam novas roupas. A maneira de vestir acompanha a maneira de pensar. Não teria sentido usar a mesma roupa do passado com o mundo, e nós mesmos, mudando freneticamente.

Somos os únicos seres vivos que podem mudar a aparência, seja ela na forma de se vestir, no corte de cabelo, na maquiagem. Podemos ser muitos, em apenas um só. Imagine que sem graça seria o mundo se fôssemos todos iguais, todos os dias?

Liberdade ou prisão?

Essa é pra quem adora criticar o feminismo.

Pra você, homem, que nunca passou por uma situação dessa ou pra você, mulher, que se acha independente, destemida e não precisa se unir à luta.

Estava eu passeando com minhas cachorras, em uma pracinha quase no centro da cidade, próximo a uma avenida movimentada, em torno das 19h da noite. Quando, afastada do meu carro, percebo um homem rondando o mesmo. Foi pra frente, voltou pra trás, olhou em volta e me viu. Bastou: uma mulher, longe do carro, a noite, sozinha (e com duas cachorras para cuidar). Ele deu a volta em metade da pracinha, quando resolveu entrar na grama. Nessa altura eu já estava voltando para o carro, com as pernas bambas e fingindo normalidade (essa é a parte que homens não sentem: medo de outro homem, apenas pelo fato de se tratar de um). Abri a porta do passageiro (que estava do lado da calçada) coloquei as duas cachorras pra dentro, fechei a porta, dei a volta, entrei no lado do motorista e imediatamente travei as portas. No início dessa cena ele estava a uns 3 ou 4 metros distante de mim. Quando fechei minha porta ele já chegava na lateral traseira do carro.

Parece inofensivo, né? O que poderia acontecer eu não sei, o que sei foi o medo e pânico que senti. Apenas por me sentir vulnerável a ele.

Você, homem, por mínimas intenções que tenha, não se aproxime dessa forma de uma mulher. Quando sentir que ela está acuada, afaste-se, tranquilize-a de alguma forma. Você, mulher, que já passou por uma situação parecida (tenho certeza que grande maioria), não critique o feminismo. Não julgue as ativistas que estão lutando por você. O mundo precisa do feminismo.

“Ser livre assim, está preso em mim…”
Outro Eu/Sandy

Violência contra a mulher

“Eu nunca pedi”

Publicado originalmente na Revista Tudo De Bom em Junho/2014. 

Há quem diga que, nos dias de hoje, não existe machismo. Será que não? E violência contra a mulher, existe? Por que crianças são assediadas? Por que mulheres são tratadas como objetos sexuais? Por que, mesmo com a Lei Maria Da Penha, poucas denúncias são formalizadas? O assunto é abrangente, altamente discutido, mas, mesmo assim, vivemos em uma cultura predominante de homens, com raízes machistas sociais e de poder.

O tema faz-se muito mais dramático quando é voltado para crianças que sofrem com o primeiro assédio. Tornou-se mais debatido a partir do momento que uma criança, participante do reality show MasterChef Júnior, foi vítima da cultura do estupro, machista e patética, via internet. Como forma de ‘consolo’, mulheres decidiram compartilhar as primeiras experiências com o assédio infantil, através da #MeuPrimeiroAssédio. Entretanto, nem mesmo esses relatos ficaram livres do linchamento da cultura machista. Homens começaram a compartilhar, por meio da mesma hashtag, brincadeiras e trocadilhos, de forma a debochar de algo que nada engraçado era (e ainda não são).

Foi quando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) abordou a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, que a trama passou a ser, ainda mais, debatida. Foram jornais televisivos, radiofônicos, virtuais, impressos e até mesmo blogueiros, formadores de opinião, abordando um assunto e condenando atitudes machistas.

Não esquecendo de argumentos e falas como “ela pediu” ou “olha essa roupa curta e justa” de forma a culpabilizar a vítima que, nunca, nada tem de culpa. Jamais esqueçam: homens não andam nas ruas com medo de sofrer violência sexual. Homens nunca sofrem nenhum tipo de assédio.

Até quando?

Certa vez li um texto que falava sobre oportunidades. Acho que nunca li tantas verdades em apenas um texto. Ele falava mais ou menos assim: se você tem a oportunidade de dar o troco errado, afim de ganhar uma gorjetinha extra; você provavelmente vai fazer. Da mesma forma que se alguém lhe devolver troco extra; você provavelmente o guardará na carteira. Se você tem a oportunidade de declarar menos renda, para pagar menos impostos; você provavelmente vai fazer. Se você tem oportunidade de fazer um gato bem feito e pagar menos na conta de luz; você provavelmente vai fazer. Mas aí você me pergunta: mas os políticos roubam milhões da gente! Por que eu não posso ganhar um pouquinho a mais às custas de outras pessoas?
O político corrupto nada mais é do que um reflexo do seu povo. Se ele rouba a sociedade, é porque ele cresceu em uma sociedade golpista.
O problema do Brasil, não são os políticos. É a cultura do brasileiro.

“Até quando você vai ficar usando rédea?
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura.”
Gabriel O Pensador

Eu te desafio…

I challenge you…

Publicado originalmente na revista Tudo De Bom em outubro/2014. 

De uns tempos pra cá surgiram uma variedade de desafios compartilhados por meio das redes sociais. O primeiro a fazer sucesso foi o temível desafio da cerveja, em que o desafiado tinha que beber, direto, meio litro de cerveja. Com o passar dos meses, outros foram tomando gosto pelo público. Até que, Mark Zuckenberg alastrou o desafio do gelo, em que, o escolhido tinha que virar um balde de água com gelo na cabeça. Mas, destaque para o principal motivo da campanha: doar para financiar pesquisas sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica. Depois disso, foi a vez de realçar a beleza natural da mulher, quando a escritora Robin Rice criou o desafio da foto sem maquiagem em uma campanha para “parar com a loucura da beleza” (#stopthebeautymadness).

Até aí, tudo bem, até porque estas campanhas tinham uma finalidade. O desafio do gelo arrecadou fundos para pesquisar cura e informações sobre uma doença que até então, era desconhecida por muitos. A foto sem maquiagem queria que a real mulher se mostrasse, e se achasse bonita por si só, sem neuroses e problemas psicológicos, os quais existem em muitas mulheres. Mas não parou por aí.

Depois surgiu o desafio do livro, do filme, da viagem… Nos Estados Unidos se viralizou um desafio até para fazer blasfêmia à Jesus! A criatividade humana não tem fim e, numa luta constante em superar o outro e fazer algo melhor, que faça mais sucesso e viralize mais, muitos fazem perder a essência do desafio. Algo que não era pra ser criado para todas as coisas, senão, não é um desafio. Desafio é algo que estimula alguém a fazer algo inusitado, como realizar doações ou mesmo mostrar para outras três mulheres que elas são bonitas mesmo sem maquiagem.

Para provar a massificação dos desafios, foi criado um aplicativo, disponível apenas para iOS, que consiste em lançar desafios, de amigo para amigo, de seguidor para seguidor e até mesmo para todos seus seguidores. OK. Isto é uma brincadeira, mas não é de se duvidar que algum desafio lançado neste aplicativo se alastre pelas redes sociais e preencham todas as histórias do Facebook.

Será que isso não passa de uma brincadeira? Ou será que esta onda de desafios tirou a exclusividade daqueles que foram criados para ajudar, direta ou indiretamente, o próximo? Não é proibido, não é criticado e nem sempre é elogiado, mas, você gosta quando sua mídia social é tomada por desafios?

Não sendo infeliz

Algumas coisas não mudam. E eu concordo.

Mas na maioria das vezes podemos no adequar e mudar, afim de melhorar. Por exemplo: ser mais saudável, praticar um exercício físico que te dê prazer, fazer alguma atividade filantrópica, ter um pensamento mais leve sobre as coisas e mais uma dezena de detalhes que podem mudar a sua vida e da que está próximo a você. Distribuir sorrisos para um desconhecido, acariciar um cachorro de rua, ajudar quem {com o que você pode} precisa; são coisas que mudam o mundo. E o mundo precisa disso. O mundo não precisa de pessoas hipócritas, prepotentes, mesquinhas, arrogantes e egoístas.

Vamos ser feliz, vamos rir à toa, vamos fazer outra pessoa feliz; hoje. Amanhã, há de ser outro dia.

Não sei feliz, mas geral merece não ser infeliz. [Projota]